sábado, 17 de novembro de 2012

DEPRESSÃO

DEPRESSÃO

A depressão tem sido vista como o novo mal do século. Independente de idade a depressão apresenta sintomas na infância, adolescência, na fase adulta e na terceira idade. No entanto, é preciso estar atento para fazer um bom acompanhamento médico solucionando esta doença ainda cedo para não agravar a saúde.   

É inegável que a população mundial esta envelhecendo. O aumento do número de
pessoas com mais de 60 anos não está mais restrito a países desenvolvidos, como os europeus. Hoje, países da África e América Latina - dentre eles o Brasil - vivenciam o envelhecimento mundial. Essa mudança no quadro populacional se deu em razão da melhoria nutricional, avanços da medicina e redução na taxa de mortalidade, dentre outros fatores.

Porém muitas são as conseqüências desse fenômeno. Dentre elas, algumas dizem
respeito à saúde mental (equilíbrio psíquico que resulta da interação da pessoa com a
realidade dos indivíduos) da terceira idade, como a incidência da depressão de inicio
tardio.

Entre as principais doenças mentais que atingem o idoso está à depressão, Trata-se de uma doença freqüente em todas as fases da vida, mas que vem se acentuando entre indivíduos senis. Conforme a Organização Mundial da Saúde, estima-se que cerca de 15% de idosos apresentem alguns sintomas depressivos e cerca de 2% deles tenham depressão grave. Esses números são ainda maiores entre idosos internados em asilos ou hospitais.


Ao compararmos a depressão no idoso com a que acomete outras faixas etárias não é possível delimitar diferenças nítidas, no entanto sabe-se que o idoso passa por circunstâncias específicas em razão do avanço da idade e das conseqüências que ele acarreta.



O QUE É DEPRESSÃO?
De vez em quando, todos nós ficamos “pra baixo” ou “na pior”, como se diz. Mas, os que sofrem de depressão têm muito mais que “tristeza” e essa situação pode durar por muito mais tempo.

Depressão é o nome que se dá a certos estados de sofrimento psíquico, que podem causar desordens no comportamento, na afetividade, no humor e na relação com o meio ambiente.


A depressão pode se manifestar de diferentes formas e, por isso, são inúmeros os sintomas que se envolvem e se associam para determinar o seu diagnóstico.

Na idade adulta e nos idosos ela se caracteriza principalmente por um estado de humor deprimido, melancólico e geralmente vem acompanhada de ansiedade e tensão muscular. A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade.



COMO SABER SE ESTOU COM DEPRESSÃO?
Depressão é diferente de tristeza. Você pode estar triste ou até muito triste, estar em estado depressivo, mas necessariamente isso não significa que esteja com uma depressão clinicamente reconhecida, neste caso temos ai o conhecido “baixo astral”.
As principais características que fazem a tristeza ou estado depressivo passageiro se
tornarem uma depressão são:

 PERSISTÊNCIA- quando não há retrocesso nestes estados emocionais citados;
 INCAPACIDADE – quando os estados emocionais referidos incapacitarão para atividades normais;
 DESPROPORÇÃO – ou seja, um nível exacerbado do sentimento em relação a fatos que podem ser considerados comuns ou de pequena importância.

QUAIS OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO?
 Isolamento do convívio familiar;
 Desistência pelas atividades normais;
 Perda da auto-estima;
 Concentração diminuída;
 Inquietação, insegurança e hostilidade;
 Irritabilidade e agressividade;
 Perda de interesse pelo trabalho;
 Apetite alterado;
 Diminuição da libido;
 Cansaço;
 Insônia e/ou excesso de sono;
 Idéia de suicídio;
 Ansiedade ou sensação de vazio;

COMO É O TRATAMENTO
Hoje em dia a depressão, na maioria dos casos é tratada com sucesso. A medicação e a psicoterapia são as terapêuticas mais indicadas. Além do tratamento psicoterápico, há necessidade de se induzir o tratamento farmacológico ou biológico.



O tratamento é demorado e os resultados não são imediatos, por isso, é preciso ter muita paciência e força de vontade. A psicoterapia tem como principais objetivos:
 remover os sintomas e sinais depressivos, restabelecer o desempenho ocupacional e social do indivíduo.
 promover o estabelecimento de uma percepção mais coerente e menos distorcida do seu mundo interno, e da sua realidade externa.
 enfatizar e tratar a angustia e o conflito interno, causadores de depressão.
 promoção do bem estar, bem como o desenvolvimento emocional, cognitivo e social do envolvido.

COMO OS AMIGOS E FAMILIARES PODEM AJUDAR
É muito importante para o idoso compreender a doença e desenvolver formas de lidar com ela, mas a ajuda da família e dos amigos é muito importante na recuperação porque há muito preconceito em relação aos transtornos mentais e a pessoa em depressão sente-se fracassada, como se isso se tratasse de uma falha moral, de uma fraqueza de caratê ou de uma forma de chamar atenção.

A família e os amigos devem evitar exigências de que a pessoa faça aquilo que, no momento, não é possível para ela. É importante estimular, mas não exigir. Devem ser evitadas frases como “você não tem nada”, “se quiser, é capaz de trabalhar”.
Quem nunca teve depressão pode ter dificuldade de entender o profundo sofrimento de uma pessoa que se encontre nesse estado.

TRANSTORNO AFETIVO SAZONAL OU DEPRESSÃO SAZONAL

Quem nunca sentiu uma certa melancolia ao olhar a chuva cair e o dia escurecer na metade da tarde? Nesses dias, é bastante comum a sensação de fadiga e desânimo. Porém, em certos casos esses sintomas tornam-se tão graves que dificultam a realização de tarefas simples do cotidiano. Quando chega a esse ponto, é diagnosticada a Doença Sazonal Afetiva, também conhecida como depressão sazonal.
Segundo o fisiologista John Fontenele Araújo, coordenador do laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), isso não é por acaso.

As mudanças climáticas influenciam realmente o nosso humor e a explicação é biológica.

Segundo ele, o cérebro possui um "relógio", que determina o ritmo interno de cada pessoa e emite sinais para diversas áreas cerebrais que controlam o sono, temperatura, liberação de hormônios e outros.

O relógio é "ajustado" pela variação de claro-escuro, dos dias e das noites. No entanto, durante o inverno, há uma mudança na duração do dia, o que acarreta em menos horas de luz e mais tempo no escuro, desajustando nossa regulação interna. A falta de luminosidade leva, então, a um estado de introspecção. O humor fica diminuído, há dificuldade de concentração, isolamento social e cansaço. Nessa época do ano também aumenta a vontade comer, principalmente doces, e de dormir.

Esses sintomas são comuns e todos nós sentimos essas alterações nessa época do ano. Porém, em alguns indivíduos predispostos, principalmente os idosos e aqueles que já tiveram depressão, eles tornam-se mais graves e levam à Doença Sazonal Afetiva, bastante parecida com a depressão clássica. A diferença básica entre o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS) e a depressão maior é que esta última não precisa de uma época do ano específica para se manifestar e não desaparece com as mudanças de estação.

Após estas considerações acerca da depressão você pode estar pensando: “Eh, estou com depressão!” Muita calma, pois o fato de estar com quaisquer um ou mais desses sintomas, necessariamente não quer dizer que esteja com depressão.

Em caso de dúvidas, não hesite em procurar orientação de um profissional da área da saúde.

Fonte: http://www.serpsicologia.com.br/artigos/Depressao_na_3_Idade.pdf
Nadine T. Pilotto Fabiani - Psicóloga CRP 07/13657


DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE - SAIBA MAIS
Os argumentos que sustentam ser a depressão no idoso um tipo diferente da depressão de outras faixas etárias se apóiam nas diferenças de sintomatologia. Nos idosos, por exemplo, a depressão se apresentaria com sintomas somáticos ou hipocondríacos mais freqüentes, haveria menos antecedentes familiares de depressão e pior resposta ao tratamento. Apesar disso, a tendência atual é não estabelecer diferenças marcantes entre a depressão da idade tardia e a depressão dos adultos mais jovens. De fato, o que teria de diferente nos idosos seria, não a depressão em si, mas as circunstâncias existenciais específicas da idade.

Do ponto de vista vivencial, o idoso está numa situação de perdas continuadas; a diminuição do suporte sócio-familiar, a perda do estatus ocupacional e econômico, o declínio físico continuado, a maior freqüência de doenças físicas e a incapacidade pragmática crescente compõem o elenco de perdas suficientes para um expressivo rebaixamento do humor. Também do ponto de vista biológico, na idade avançada é mais freqüente o aparecimento de fenômenos degenerativos ou doenças físicas capazes de produzir sintomatologia depressiva.

Assim sendo, embora os fatores bio-psico-sociais agravantes possam estar associados ao rebaixamento do humor na idade avançada, eles podem gerar confusão a respeito das características clínicas da depressão nessa idade. Os clássicos conceitos de depressão reativa, depressão secundária e depressão endógena se confundem na depressão senil.

CAUSALIDADE DA DEPRESSÃO
DEPRESSÃO REATIVA
Reativa a alguma situação vivencial traumática
De fato o idoso passa por uma condição existencial problemática e, muitas vezes, sofrível
DEPRESSÃO SECUNDÁRIA
Secundária à alguma condição orgânica
De fato o idoso costuma desenvolver estados patológicos e degenerativos que facilitam o desenvolvimento da depressão
DEPRESSÃO ENDÓGENA
Endógena é constitucional, atrelada à personalidade
Ora, de fato as pessoas com depressão endógena ou constitucional envelhecem e continuam depressivas

Como vemos no quadro acima, pelas condições existenciais a depressão do idoso bem que poderia ser, de fato, reativa. Poderia igualmente ser secundária às condições físicas do idoso e, finalmente, pelos eventuais antecedentes, poderia ser endógena. Nos adultos jovens esta confusão causal é menor, pois os aspectos do entorno existencial estão mais claramente definidos.

É quase certo dizer que os idosos de nossa sociedade estão marginalizados. Eles estão excluídos da produção contra sua vontade, tornam-se pouco consumidores, tendem a consumir maiores recursos da saúde, e acabam sobrevivendo a expensas de uma sociedade quase sempre hostil, recebendo as ajudas caridosas que esta se digna oferecer-lhes. Estão excluídos da produção porque ninguém lhes dá emprego, tornam-se pouco consumidores porque não têm dinheiro, não têm dinheiro porque ninguém lhes dá emprego, e consomem recursos da saúde porque adoecem, e adoecem mais porque não têm recursos para a saúde. Forma-se assim um deplorável círculo vicioso.

Infelizmente, um dos sintomas deste descuido social geral para com o idoso é o escasso conhecimento que se tem de sua realidade psicológica, de sua subjetividade e da percepção que ele tem de si mesmo e do mundo em que vive. Os estudos referidos à velhice se concentram, em geral, nos aspectos demográficos, socioeconômicos, de seguridade social e de saúde física, deixando de lado a saúde emocional e o colorido dos sentimentos da pessoa que envelhece.

É pois, imperioso que a sociedade de um modo geral, e a medicina psiquiátrica em particular, se aproximem e conheçam a dimensão subjetiva, a problemática da saúde emocional e as potencialidades subjacentes do idoso. Muito pouco se sabe sobre como o idoso percebe a si mesmo e a seu envelhecimento, e isso será apenas o primeiro passo para estabelecer uma atenção psicológica e rastrear os fatores materiais e sociais que a determinam a angustia e a depressão que rodeiam o envelhecimento.

A Saúde Mental do Idoso
Saúde Mental poderia ser entendida como o equilíbrio psíquico que resulta da interação da pessoa com a realidade. Essa realidade é o meio circundante que permite à pessoa desenvolver suas potencialidades humanas e, normalmente, essas potencialidades estão estreitamente associadas à satisfação das necessidades humanas.

Uma das principais necessidades humanas básicas, para o idoso ou qualquer um outro, é a chamada Autonomia Funcional. Esta, diz respeito à capacidade que tem a pessoa para valer-se de si mesmo, interatuar com o ambiente e satisfazer suas necessidades.

Percepção do envelhecimento é a manifestação subjetiva das alterações sofridas a nível somático e funcional, atribuibuídas ao envelhecimento. Isto se expressa numa troca da identidade pessoal, a imagem corporal, a autovalorização, etc. Operacionalmente pode definir-se como a auto-atribuição de traços de velhice.

A percepção do envelhecimento se dá, mais destacadamente, nas seguintes observações:
  • Alterações na aparência física
A grande maioria dos idosos se percebe com menos cabelo, cabelos brancos (91.2%); manchas e rugas na pele (81.1%); problemas de visão e de audição (74.9%); déficit na força muscular (59.7%), etc. A isso se associa uma característica psicológica, que é um forte apego ao passado (57.2%).

Os fatores sociais e os elementos gerais parecem exercer uma forte influencia. As mulheres levam mais em conta as mudanças em sua aparência externa, os homens, por sua vez, ressentem mais a debilidade física.

Dentro da percepção do envelhecimento, cabe chamar a atenção sobre a explicação que os idosos realizam de sua velhice, e sobre a rapidez com que esta se instaura para eles. O ritmo do envelhecimento é percebido de forma diferente por homens e mulheres. A maioria dos homens (59.1%) pensa envelhecer de forma lenta ou pouco a pouco. As mulheres (52.7%), em troca, vêem este processo como algo normal, nem lento nem rápido.

A correlação entre Saúde Mental e Percepção do Envelhecimento faz supor uma influência negativa dos problemas psicológicos sobre a autopercepção dos idosos. A presença de ansiedade, irritabilidade, sensação de insuficiência, de inutilidade, entre outras, pode levar aos idosos a supervalorizar (e em alguns casos extremos, a acelerar) alguns traços próprios da velhice.

Da mesma forma, é lícito supor que a presença de certos traços do envelhecimento e seus efeitos nas vidas das pessoas possam gerar problemas psicológicos, já que, ao que parece, as limitações do envelhecimento e a marginalização social concomitante, terminam por afetar o equilíbrio interno dos indivíduos. O mais provável é que exista uma influencia recíproca entre ambos fatores, os mesmos que à maneira de um círculo vicioso se retro-alimentam mutuamente.
  • Autonomia Funcional
Entre as principais características da perda progressiva da Autonomia Funcional estão os problemas de mobilidade, de mover-se de um lugar a outro, principalmente entre lugares distantes (40.9%). Outra limitação importante está no ato de preparar seus alimentos (32.7%) e, finalmente, em conseguir as coisas que necessitam (29.6%).

A discriminação que sofrem as mulheres no campo ocupacional, econômico, familiar e outros, notadamente a descriminação maior da qual foi vítima a mulher hoje senil, produz um efeito acumulativo que acaba resultando numa velhice mais problemática.
Tendo uma vida marginalizada e deficitária produz-se, quase sempre, uma velhice com problemas. Neste sentido, está certo o ditado que diz: “envelhece-se como se viveu”. Isso significa que o envelhecimento pode ser problemático na medida em que a vida tenha sido complicada ou, mais comumente, na medida em que a pessoa teve dificuldade em adaptar-se à vida.

As condições materiais de existência e o suporte familiar são fatores decisivos na sensação de Autonomia Funcional dos idosos. Estando suas necessidades melhores satisfeitas, haverá maior independência e liberdade de ação.

Em síntese, muitos problemas da Autonomia Funcional podem ser explicados a partir de fatores individuais, familiares e sociais. Entre os fatores individuais, em primeiro lugar se encontra o perfil psicológico e mental prévio da pessoa que envelhece, em seguida vem o nível educacional, as experiências vitais críticas, os acidentes, as doenças pregressas e atuais, a ocupação pregressa e atual, etc.

Socialmente, está em primeiro lugar, sem dúvida, a contundente influência restritiva que a sociedade exerce sobre os idosos, limitando suas possibilidades de atuação, oprimindo-os sob os modelos e padrões do "velho", e restringindo suas possibilidades de participação. De modo geral, não existe uma velhice típica, padrão, característica e igual. Existem múltiplas velhices; tantas como sociedades, culturas e classes sociais.

Depressão e Demência
A demência implica sempre num comprometimento importante e irreversível na qualidade de vida da pessoa, portanto, se a demência foi diagnosticada, o prognóstico é sempre reservado. Não é raro encontrarmos quadros similares à demência em idosos hospitalizados, os quais, se apropriadamente tratados, restabelecem a saúde cognitiva. Entretanto, embora alguns autores mencionem esses quadros sob a denominação de demências reversíveis, na realidade trata-se de Delirium, um quadro diferente de Demência.

As demências verdadeiras, sejam elas resultado de um quadro progressivo como a Doença de Alzheimer ou de Demência Vascular, ou de natureza estável, como as seqüelas de AVC, serão sempre irreversíveis. Embora as atuais tendências para o tratamento da demência, como por exemplo o uso de inibidores da acetil-colinesterase ou programas de reabilitação cognitiva, tragam inegáveis benefícios para os pacientes, não é possível ainda, restituir o nível de cognição anterior.

O Brasil já pode ser considerado um país envelhecido, apresentando mais de 7% de idosos na sua população. Portanto, a medicina deve aparelhar-se para distinguir o envelhecimento normal do patológico, bem como a demência da depressão senil (pseudodemência depressiva).

Nesta última questão, tem sido às vezes bastante difícil diferenciar o envelhecimento normal dos eventuais pródromos de uma demência incipiente. As alterações neurofisiológicas associadas ao envelhecimento começam a aparecer cedo na vida das pessoas, geralmente em torno dos 40-50 anos e, dependendo de fatores genéticos, ambientais e antecedentes médicos pessoais, evoluem de forma muito variável entre as pessoas.

Anteriormente acreditava-se que os neurônios jamais se multiplicavam na vida adulta, entretanto, hoje já se demonstrou eles podem replicar-se a partir das chamadas células-fonte, porém, essa multiplicação não costuma ser suficiente para neutralizar totalmente a perda progressiva da população neuronal do cérebro. Mesmo ocorrendo alguma reorganização benéfica de sinapses e dendrítos ao longo dos anos, bem como modificações no número e sensibilidade dos neuroreceptores, alguma alteração na performance cognitiva é observada e constatada em testes neuropsicológicos com o envelhecimento.

As habilidades mais preservadas no idoso são aquelas resultantes da substancial aprendizagem, isto é, habilidades bem consolidadas e, portanto, mais resistentes à deterioração mnêmica. Avaliar essas habilidades sólidas é um dos primeiros passos para o diagnóstico de demência.

A avaliação do nível de consciência global deve levar em conta também o nível de conhecimentos gerais do paciente. E este último, será sempre conseqüente a educação formal do paciente. O exame da leitura costuma ser conjunto à avaliação da compreensibilidade, ou seja, não se avalia apenas a leitura em voz alta, mas também a interpretação do que foi lido.

Existem diferentes comprometimentos nas habilidades verbais que aparecem no exame da comunicação. Em geral, as alterações de linguagem ocorrem a nível léxico-semântico. Neste caso investiga-se a lembrança de palavras, a nomeação de objetos, a fluência verbal e o nível discursivopragmático. Porém, o vocabulário deve ser avaliado com algum cuidado, relevando-se os discretos déficits de nomeação freqüentes em qualquer pessoa. Excluída essa possibilidade fisiológica, a dificuldade de dar nomes às coisas (disnomia) será considerado um dado valioso na avaliação cognitiva. Quando a dificuldade para nomear é gráfica, chamar-se-á disgrafia.

Ainda na avaliação da comunicação, os pródromos demenciais costumam mostrar alguma dificuldade de narração de histórias, interpretação da eventual mensagem da história ou do ditado e dificuldades de informar adequadamente sobre a situação global a que se refere à história.

O declínio de memória do idoso normal ocorre de modo discreto e se dá, predominantemente, na memória operacional ou de trabalho. Será sempre bom lembrar que a aquisição de conhecimentos e de aprendizado também declinam com a idade, juntamente com a capacidade de retenção mnêmica mas, mesmo assim, será possível ao idoso normal, apreender e manter na memória a maior parte das solicitações do cotidiano. Um exame neuropsicológico minucioso da memória é indicado sempre que existir queixas significativas, embora a presença de queixas de memória em idosos normais seja bastante comum. Há alguns medicamentos que interferem na cognição e são largamente consumidos pela população de idosos.

Pseudodemência Depressiva
Cabe ressaltar também a presença de depressão emocional, a qual pode chegar a 20% dos idosos, afetando a cognição e a motivação para a memória. A depressão comumente produz um déficit mnêmico, especialmente após os 40 anos, e esse prejuízo de memória do depressivo pode ser confundido com um quadro inicial de demência. Essa confusão depressão-demência pode ser maior ainda, levando-se em conta o fato da depressão freqüentemente ter características atípicas nos idosos.

O termo pseudodemência depressiva pode sugerir, erroneamente, que os déficits observados serão reversíveis com o tratamento adequado da depressão. Embora isso ocorra em alguns casos, não pode ser considerado como regra geral. Boa parte dos pacientes inicialmente diagnosticados como deprimidos (pseudodementes) apresentaram, depois de algum tempo, verdadeiros sinais de demência, apesar da melhora inicial com o uso de antidepressores. Os próprios estudos de imagem cerebral podem revelar sinais mais compatíveis com demência do que da depressão nos pacientes diagnosticados com pseudodemência depressiva.

Assim sendo alguém poderia pensar: "de que adianta conhecer a pseudodemência depressiva, se esta corre paralelamente à demenciação verdadeira?" De fato, embora, possa haver no idoso um déficit cognitivo compatível com a idade e de pequena monta, a presença concomitante de depressão aumenta essa deficiência ao ponto de, aos menos avisados, parecer um verdadeiro quadro de demenciação pura.


 
O benefício de se saber da existência da Pseudodemência Depressiva e de questionar esse diagnóstico está, primeiramente, no fato de minimizar o prejuízo cognitivo com o tratamento da depressão. Em segundo, diante da possibilidade de melhora, estimular familiares e médicos para o tratamento daquele que se tinha por exclusivamente demenciado.

Mas, é bom que se tenha em mente, que embora o tratamento com antidepressivos traga melhora aos sintomas cognitivos, esses pacientes normalmente estão mais comprometidos que seus pares não-deprimidos. Embora possa haver comprometimento da disfunção cognitiva pela depressão, isso não exclui a presença de demência subjacente. No caso de idosos deprimidos, uma das principais características do exame neuropsicológico é a discrepância entre os resultados e as queixas apresentadas.

O exame neuropsicológico pode também ser normal em alguns casos de demência incipiente, principalmente em indivíduos com elevada escolaridade. Isso ocorre porque, embora tenha ocorrido declínio de funções cognitivas, o desempenho ainda permanece dentro da faixa de normalidade.

Depressão e Memória
As queixas de memória ruim são muito comuns em pessoas deprimidos. Na clínica geral os pacientes deprimidos podem, em mais de 50% dos casos, queixar-se de problemas de memória. Essa queixa de "memória ruim" pode ser denominada de dismnésia e muitas vezes essa dismnésia não é suficiente para o clínico suspeitar da depressão.

Entretanto, freqüentemente não existe correlação obrigatória entre o grau do prejuízo da memória e o grau da depressão, embora isto não seja a regra. Entre os pacientes distímicos é que costuma ser comum o grau da dismnésia ser proporcional ao grau da depressão.

Após os 60 anos, as dificuldades de memória e/ou cognitivas podem ser tão proeminentes que chegam a levantar suspeita de um quadro demencial, quadro que passou a ser chamado por Kiloh, em 1961, de pseudodemência. Não está errada a expressão pseudodemência depressiva na intenção de se enfatizar um tipo de comprometimento cognitivo associado à depressão.

Infelizmente a pseudodemência depressiva, embora melhore com o tratamento antidepressivo num primeiro momento, pode evoluir para quadros demenciais verdadeiros no futuro. Freqüentemente, ocorre uma boa resposta inicial ao antidepressivo, com melhora significativa na cognição, embora esta possa não ser completa. Com o passar dos meses, entretanto, se evidencia progressivamente o processo de demenciação.

Na literatura norte-americana temos visto a expressão excesso de incapacidade (excess disability) para denominar um comprometimento excessivo da cognição por conta do quadro depressivo, não excluindo entretanto a presença de algum grau, mesmo que leve, de incapacidade secundária a um quadro demencial verdadeiro. Tratando-se a depressão o excesso de incapacidade desaparecerá.

O sistema americano de classificação de transtornos mentais, apresenta como um dos critérios para o diagnóstico de demência o seguinte: "o quadro não é mais bem atribuído a outro distúrbio do eixo I (por exemplo, Depressão Maior)".

Uma das questões fundamentais ao se avaliar um paciente deprimido e, simultaneamente, com queixas cognitivas importantes, é saber se a depressão interfere na cognição e em que grau isso ocorre. Esta questão pode ser respondida através do exame neuropsicológico e da anamnese.

De todas as hipóteses publicadas para entender a fisiopatologia da interferência da depressão sobre o rendimento intelectual, a que parece mais sensata é a Teoria da Destinação (alocação) de Recursos. Segundo esta teoria, a recuperação de material mnêmico seria um processo ativo que exigiria do indivíduo a destinação (alocação) de recursos mentais para sua realização. O paciente deprimido, por ser incapaz de gerar e destinar adequadamente seus recursos mentais, apresentaria um comprometimento da recuperação de material previamente apreendido.

Embora o prejuízo de memória seja evidente na depressão, isso não é a única alteração cognitiva observada. Embora esse sintoma chame mais a atenção, nos idosos podem estar alteradas, a atenção, a velocidade de processamento de informações, a destreza e capacidade de formular hipóteses e modificá-las de acordo com ensaio-e-erro.

Acredita-se que a disfunção frontal, constatada nos exames de PET de pacientes deprimidos, esteja envolvida nos déficits cognitivos que acompanham a depressão do idoso.

Depressão versus Demência
Embora haja diferenças diagnósticas entre a cognição prejudicada pela depressão e a demência, é bom lembrar, como já foi dito, que as duas situações não devem ser encaradas como distintas, tendo em vista que, mais provavelmente, elas possam coexistir.

CARACTERÍSTICAS
DEPRESSÃO
DEMÊNCIA
Início
Preciso
Indeterminado
Progressão
Rápida
Lenta
Atendimento Médico
Mais precoce
Mais tarde
Valor da queixa
Detalhada
Ausente
O que é valorizado pelo paciente
Nos fracassos
Nos sucessos
Esforço e disposição
Pouco
Mantido
Sociabilidade
Perdida
Mantida
Piora
Pela manhã
Pela tarde

  • - baseado no prof. Paulo Mattos da UFRJ
Geralmente, no exame neuropsicológico do deprimido se observa uma grande discrepância entre as queixas apresentadas e os resultados do exame. Embora as queixas sejam contundentes e freqüentes, os déficits realmente constatados pelos exames são quase sempre pequenos ou inexistentes. Esta discrepância é importante para consolidar o diagnóstico de déficit secundário à depressão.

O paciente com déficits cognitivos secundários à depressão tem um comprometimento maior da recuperação da memória imediata, logo após a apresentação pelo examinador, como se houvesse uma "preguiça" para lembrar as coisas que acaba de apreender. A recuperação tardia, depois de alguns minutos ou horas é basicamente normal. No caso de demências, a recuperação imediata está igualmente comprometida, mas a recuperação tardia tende a ser bem pior que a imediata, evidenciando perda de material ao longo do tempo.

Os déficits cognitivos relacionados à depressão também têm como característica seu curso flutuante ao longo do dia ou dos dias, podendo estar hora normal e hora muito prejudicado.
Naquelas pessoas deprimidas que apresentam déficits cognitivos variados, estes últimos melhorariam com o uso de antidepressivos que levariam à remissão da depressão.
Quando a melhora cognitiva não parece ser completa, apesar de ter ocorrido remissão completa ou quase completa do quadro depressivo, deve-se ponderar duas hipóteses:

a) existe déficit cognitivo real subjacente ao quadro, isto é, demência incipiente com déficit apenas exacerbado pela depressão (excess disability) ou;
b) os antidepressivos estão, de algum modo, interferindo na cognição.

Embora existam relatos sobre o comprometimento de memória com o uso de Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRSs), em especial a fluoxetina, classicamente aquele déficit ocorre com o uso de antidepressivos tricíclicos. Sabe-se que quanto maior a atividade anti-colinérgica, maior a possibilidade de indução da dismnésia. Na verdade, qualquer fármaco com propriedade anti-colinérgica pode induzir o mesmo efeito.É interessante observar que os déficits causados por antidepressivos tricíclicos poderem ser indistinguíveis daqueles causados pela depressão. Essa perda cognitiva determinada pelo próprio antidepressivo será classificada como Delirium.

Neste caso, deve-se trocar o antidepressivo tricíclico para um Inibidor Seletivo da Recaptação da Serotonina (ISRS), tais como venlafaxina, bupropiona ou a mirtazapina. Deve ser evitado o uso concomitante de benzodiazepínicos, que podem causar déficit mnêmico por vezes muito significativo,. A mirtazapina, pelos seus efeitos ansiolíticos, em geral permite ao médico não usar benzodiazepínicos.

Depressão no Idoso Institucionalizado
Do ponto de vista biológico ou orgânico, as mudanças no sistema endócrino, neurológicos e fisiológicos contribuem para um declínio progressivo do humor, chegando à depressão predominantemente nas pessoas já com uma certa sensibilidade afetiva.

Quanto ao aspecto psicológico, a adaptação individual ao processo normal do envelhecimento pode tornar a pessoa vulnerável à depressão, mormente considerando-se que nossa cultura glorifica desmedidamente a juventude e, como se não bastasse isso, deprecia em quase todos os segmentos da atividade humana a velhice. A nível individual pesa, nessa questão psicológica, a capacidade de adaptação prévia da pessoa; a maneira como teria se adaptado às solicitações da infância, ao passar da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, da maturidade ao envelhecimento.

Psicologicamente o ancião que vive em instituições se encontra separado do ambiente familiar habitual, rodeado de pessoas estranhas, muitas vezes isolado da atualidade cultural e, evidentemente, podendo estar experimentando a incômoda sensação do abandono, dependência e inutilidade. A baixa qualidade de vida oferecida por nossas instituições asilares contribui também para o agravamento do estado afetivo na terceira idade. Aqui pesam a falta de intimidade, a insegurança e o descontentamento calado.

A questão social, entretanto, talvez seja o fator depressiogênico para o idoso mais proeminente em nosso meio sócio-cultural. Aqui se somam, principalmente, fatores de ordem econômica com a diminuição progressiva do espaço sócio-econômico, com o retraimento dos contactos sócio-culturais, com o abandono familiar, com eventual penúria habitacional, etc.

CONCEITOS
As diferenças de diagnóstico entre os vários transtornos depressivos se dão de acordo com o número de episódios, duração dos mesmos, gravidade dos sintomas e evolução. Entretanto, no ancião é difícil estabelecer limites entre o estado normal e depressivo. Para ele o diagnóstico da depressão deveria se basear mais em critérios quantitativos que qualitativos.

Partindo-se de um estado de ânimo retraído, de determinadas condutas e de pensamentos depreciativos (culpa, inutilidade, abandono...), juntamente com determinadas manifestações fisiológicas, tais como a perda de peso, insônia, dores incaracterísticas, somatizações,... vários autores propõem alguns critérios para consolidar o diagnóstico da depressão no idoso (Spiltzer):

  • Vários sintomas de depressão pelo menos por 2 ou mais semanas.
  • Sentimento de estado de ânimo diminuído durante este tempo.
  • Presença de pelo menos quatro dos sintomas seguintes:
aumento ou diminuição do apetite,
aumento ou diminuição do sono,
diminuição da energia,
sensação contínua de fatiga ou cansaço,
perda de interesse,
perda de prazer nas relações sociais,
perda de prazer nas atividades cotidianas,
sentimentos de reprovação ou culpa de si mesmo,
lentificação ou agitação psicomotora,
queixas ou evidência de diminuição na capacidade de concentração.
  • Alterações no funcionamento cotidiano da pessoa (interação social, nível de atividade e busca de ajuda profissional), como causa ou conseqüência da depressão.

PREVALÊNCIA
A prevalência de depressão e transtornos depressivos nos idosos, de um modo geral, oscila desde 10 até 20-27% (Blazer, Hughes, George - 1987). Já em idosos institucionalizados a taxa de prevalência de depressão vai de 25 a 80% (Hyer y Blazer -1982). É bom saber também que a depressão é 3 vezes mais prevalente em idosos com alguma deterioração funcional que naqueles sem essa condição.

SINTOMATOLOGIA
De um modo geral, a clínica da depressão nos idosos é mais variada e atípica que no adulto jovem. Os idosos apresentam freqüentemente sintomas depressivos que nem sempre se ajustam aos requisitos necessários para categorias diagnósticas das classificações tradicionais (CID.10 e DSM.IV). Normalmente esses quadros são repletos de sintomatologia somática.

Os sintomas mais freqüentes costumam ser inquietação psicomotora (depressão ansiosa), sintomas depressivos (insuficientes para categorias de diagnóstico formal), somatizações variadas, sinais de alterações vegetativas, perda da autoestima, sentimentos de abandono e dependência, eventuais sintomas psicóticos, déficit cognitivo variável, idéias de ou suicídio.
Em menor escala pode surgir alterações do sono, alterações do apetite, reconhecimento dos sintomas psiquiátricos, perda de energia, sensação de culpa, tristeza subjetiva, diminuição da concentração e pensamentos sobre a morte.

Não se deve esquecer que a depressão é a patologia mais freqüente no idoso e, normalmente, é apresentada de maneira atípica ou indireta, ou seja, encoberta por múltiplas e variadas queixas somáticas e associada a quadros de franca ansiedade.

O diagnóstico da depressão no idoso se baseia na história clínica, nos antecedentes afetivos pessoais e familiares bem como no julgamento de elementos sócio-psicológicos associados e possivelmente facilitadores. Para o clínico, nunca é demais enfatizar que as diferenças entre os distintos tipos de depressão apontados pelo DSM-IV ou CID.10 não têm tanta relevância prática para a população de idosos.

PESQUISAS
Algumas pesquisas podem refletir a realidade do idoso, como por exemplo as de Blazer (Blazer, Hughes, George - 1987) e Kane (Kane A. R., Kane R.L. -1993). Esses estudos permitem considerar que:
  1. A maioria dos idosos institucionalizados (75%) não está satisfeita e contente com sua situação atual na instituição, o grau de bem estar pessoal é insuficiente, o índice de satisfação global é baixo e a auto-estima também é mínima (Lawton M.P. – 1975).
  2. A auto-estima diminui progressivamente com a idade, atingindo seu ápice mais baixo entre os 75 e 84 anos.
  3. Parece que essa diminuição da auto-estima não é diferente entre homens e mulheres.
  4. A prevalência de transtornos depressivos na população institucionalizada é de 54%, portanto, superior às taxas de prevalência de 23-40% estabelecida na população de idosos em geral.
  5. Em estudos tomando por base os índices de hemoglobia glicosilada entre idosos, o grupo mais alto se encontra na faixa de 75-84 anos, que é o mesmo grupo identificado com pior resultado na escala de satisfação de Filadélfia e com maior prejuízo da auto-estima (Lawton M.P. – 1975). Isso pode sugerir que as alterações do sistema neuroendócrino podem estar associadas a possíveis transtornos depressivos no processo de envelhecimento.

O ALCOOLISMO NA TERCEIRA IDADE

Pesquisas revelam que o alcoolismo na terceira idade é maior do que se imaginava. Segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), o problema não costuma ser diagnosticado nesta faixa etária porque os sintomas do alcoolismo são atribuídos a outras doenças crônicas como demência e depressão ou, muitas vezes, ao próprio envelhecimento. E isso dificulta o tratamento. “Num País em que a população está vivendo 25 anos a mais, comparado à década de 1960, é o momento certo para abrir uma discussão sobre o assunto. Transtornos relacionados ao álcool são comuns entre idosos”, afirma Larriany Giglio, psiquiatra do Instituto Mundo Novo, clínica especializada em atendimento a problemas de drogas e alcoolismo.

Marta Jezieski, diretora do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Doenças (Cratod), explica que “alguns profissionais de saúde não perguntam se o paciente fuma ou bebe, principalmente nesta fase da vida, o que torna difícil o diagnóstico para tratamento”. Larriany ressalta que, “quando se constata o abuso do álcool, o problema é tratado como algo tolerável e o paciente acaba não sendo encaminhado ao tratamento adequado”. Outro fator importante é que os idosos procuram, sozinhos, o tratamento. “Os familiares não entendem que alcoolismo seja uma doença. Acham que é falta de caráter ou de vontade, observa Marta. Em média, o Cratod atende 50 pessoas por dia à procura de tratamento para o álcool, em todas as faixas etárias.


Fatores e efeitos

Diversos fatores desencadeiam a dependência de álcool na terceira idade: aposentadoria (ociosidade), viuvez ou solidão, sentimento de inutilidade e falta e perspectiva de vida. É necessário um programa de tratamento diferenciado para atender às necessidades desses pacientes. “De modo geral, os idosos acreditam que não têm mais tempo nem vitalidade para almejar ou construir algo”, diz a médica Larriany. Programas que têm a motivação como objetivo principal facilitam o tratamento e ajudam os dependentes.


Os efeitos da bebida no organismo também são graves nessa fase. O fígado exibe redução da metabolização. O tubo digestivo diminui a capacidade de absorção. O estômago absorve menos vitamina B12. E o pâncreas torna-se mais propenso aos quadros de pancreatites aguda e crônica. A polifarmácia e a utilização de medicamentos de venda livre aparecem como outros complicadores, podendo inclusive resultar em morte por associação de substâncias, como benzodiazepínicos e álcool. Segundo a diretora do Cratod, os pacientes revelam que estão bebendo bem menos de quando jovens. “Eles acreditam que estão curados, mas, na realidade, há um sério comprometimento do organismo em geral”
Os motivos que levam os idosos a ser mais vulneráveis ao uso de álcool do que os jovens são os riscos maiores de efeitos adversos que eles apresentam, mesmo consumindo quantidades menores. “É lamentável que o problema seja pouco avaliado e conhecido. A gravidade das alterações comportamentais e físicas torna extremamente importante a realização de estudos que compreendam essa faixa etária para que se possa conhecer a real extensão do problema por meio de medidas preventivas específicas e tratamento adequado”, diz Larriany.


Juventude
Outro estudo interessante sobre dependência alcoólica foi realizado pelo Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas e Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Departamento e Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP. Intitulado São Paulo Megacity, a pesquisa realizada com 5.037 indivíduos adultos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) mostrou que aproximadamente 10% preencheram critérios para abuso e dependência do álcool. Do total, 54% dos abusadores apresentaram este diagnóstico antes dos 24 anos. A maioria dos indivíduos desenvolveu dependência antes dos 35 anos.

“É um dado alarmante que revela que os homens abusam cada vez mais cedo do álcool, considerado uma droga lícita”, constata o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, especialista em dependência química e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. De acordo com o médico, que também é presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), três motivos levam os homens a utilizar o álcool: insegurança, necessidade de inserção social e exemplo familiar.


Dependência
Embora alguns estudos sugiram que os padrões de consumo de álcool entre os sexos estejam se igualando cada vez mais, os homens continuam consumindo maiores quantidades e apresentando maiores taxas de abuso e dependência que as mulheres. “Os jovens iniciam o primeiro contato com o álcool por meio de bebidas fermentadas (cervejas), passando gradativamente para as destiladas (vodca, uísque), principalmente no período das pré-baladas ou ‘esquenta’”, explica o doutor Arthur. Segundo ele, a dependência independe da quantidade e da frequência do uso do álcool. “Está associada mais ao prejuízo na esfera social, ao desvio na esfera familiar e aos problemas relacionados à saúde – esquiatose, pancreatite alcoólica, doenças cardíacas (miocardiopatia alcoólica e demência alcoólica)”.

Grupos de auto-ajuda, como Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA) são sempre bem-vindos. “O tratamento para um dependente alcoólico varia de paciente para paciente, mas a abstinência é um dos fatores mais importantes”, ressalta Arthur Guerra. O especialista informa que um dependente consegue, numa primeira fase, ficar até 90 dias sem ingerir bebidas, mas, se recair, “a probabilidade é que esse prazo se prorrogue para um ano”. Homens com menor grau de escolaridade, renda baixa ou média baixa e desempregados apresentaram riscos ainda mais altos de desenvolver transtornos relacionados ao uso do álcool.


SERVIÇO: Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod)
De segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas
Rua Prates, 165 – Bom Retiro – próximo ao Metrô Tiradentes
Telefone (11) 3329-4455




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